TAZ

July 1, 2008 at 5:48 pm (Uncategorized) (, , , )

Roubado de rizoma.net e do Hakim Bay

Em termos situacionistas, desaparecimento do artista É “a supressão e a realização da arte”. Mas de onde nós desaparecemos? E algum dia seremos vistos ou ouvirão falar de nós outra vez? Iremos para Croatã: qual é o nosso destino? Toda a nossa arte consiste em uma mensagem de adeus para a história – “Fomos para Croatã” – mas onde é isso, e o que faremos lá?

Em primeiro lugar: não estamos nos referindo a um desaparecimento literal do mundo e do futuro: nenhuma fuga para o passado, para uma “sociedade original de lazer” paleolítica; nenhuma utopia eterna, nenhum esconderijo na montanha, nenhuma ilha; e, também, nenhuma utopia pós-revolucionária – provavelmente nenhuma revolução! – e também nenhuma estação espacial anarquista. Nem aceitamos uma “desaparição baudrillardiana” no silêncio de uma ironia hiper-conformista. Não pretendo provocar discussões com os Rimbauds que fogem da Arte para qualquer Abissínia que logram encontrar. Mas não podemos construir uma estética, nem mesmo uma estética do desaparecimento, com a simples ação de nunca mais voltar. Ao dizer que não fazemos parte da vanguarda e que não há vanguarda, nós escrevemos nosso “Fomos para Croatã”. E então a questão passa a ser: como conceber “a vida cotidiana” em Croatã? Especialmente se não podemos dizer que Croatã existe no Tempo (Idade da Pedra ou Pós-Revolução) ou no Espaço, seja na forma de uma utopia ou em algum vilarejo esquecido no meio-oeste ou na Abissínia. Onde e quando existe o mundo da criatividade não-mediada? Se ele pode existir, ele existe, mas talvez apenas como algum tipo de realidade paralela que até agora não pudemos perceber. Onde poderíamos encontrar as sementes – ervas daninhas brotando entre as rachaduras das nossas calçadas – desse outro mundo para nosso mundo? As pistas, a direção correia? Um dedo apontando para a lua?

Acredito, ou ao menos gostaria de propor, que a única solução para a “supressão e realização” da arte está na emergência da TAZ. Rejeito veementemente a crítica que diz que a própria TAZ não é “nada além” de uma obra de arte, muito embora ela possa vestir alguns de seus enfeites. Eu sugiro que a TAZ é o único “lugar” e “tempo” possível para a arte acontecer pelo mero prazer do jogo criativo, e como uma contribuição real para as forças que permitem que a TAZ se forme e se manifeste.

A arte no Mundo da Arte tornou-se uma mercadoria. Porém, ainda mais complexa é a questão da representação em si, e a recusa de toda mediação. Na TAZ, arte como uma mercadoria será simplesmente impossível. Ao contrário, a arte será uma condição de vida. A mediação é difícil de ser superada, mas a remoção de todas as barreiras entre artistas e “usuários” da arte tenderá a uma condição na qual (como A.K. Coomaraswamy escreveu) “o artista não é um tipo especial de pessoa, mas toda pessoa é um tipo especial de artista”.

Em suma: o desaparecimento não é necessariamente uma “catástrofe”, exceto no sentido matemático de “uma repentina mudança topológica”. Todos os gestos positivos aqui esboçados parecem envolver vários graus de invisibilidade em vez da confrontação revolucionária tradicional. A New Left nunca acreditou realmente em sua própria existência até que viu seu nome no jornal. A Nova Autonomia, por sua vez, ou conseguirá infiltrar-se na mídia e “subvertê-la” desde dentro, ou nunca será “vista”. A TAZ não existe apenas além do Controle, mas também além da definição, além do olhar e da nomenclatura como atos de escravização, além da possibilidade de compreensão do Estado, além da capacidade perceptiva do Estado.

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