sobre o conhecimento

February 9, 2010 at 4:59 pm (Uncategorized) (, , , , )

Todo pensador profundo teme mais ser bem do que mal compreendido. No segundo caso sua vaidade sofre talvez; mas no primeiro é seu coração, sua simpatia que repetem sem cessar: “Por que vocês querem viver tão duramente quanto eu próprio vivi?”

Além do bem e do Mal – Nietzsche apud Razão e Diferença – Marcio Goldman

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antropologia

February 9, 2010 at 12:59 am (Uncategorized) (, , , )

[…]. A Antropologia clássica, dos evolucionistas e Franz Boas, mal ou bem, sempre soube se colocar na áera de interesse das principais correntes do pensamento ocidental e, mesmo, da “cultura geral” dos segmentos mais sofisticados da população.Termos como totens e tabus, fetichismo e religiões, raças e racismo, tal qual refletidos pelos antropólogos, sempre encontraram boa repercusão. A antropologia contemporânea, ao contrário, vem se caracterizando por uma espécie de enclausuramento, de encerramento em si mesma. Os esforços visando participar nos debates contemporâneos não são capazes de esconder o fato de que uma hiperespecialização ao mesmo tempo temática e geográfica (consequência talvez inevitável do acumulo de materiais) parece recusar a ambição totalizadora da antropologia classica. Além disso, uma exacerbada discussão endogâmica acerca de conceitos e postulados tidos outrora como acima de dúvida (racionalidade, relativismo, antietnocentrismo, etx…) costuma afugentar o leitor não especializado – e, devemos confessar, algumas vezes mesmo o especializado. Não se trata, é claro, de dizer que  esses dois processos, hiperespecialização e endo-discussão, sejam absolutamente negativos;  pelo contrário, ambos possuem inúmeros aspectos positivos fundamentais. Tentei apenas delimitá-los como característicos de uma disciplina um pouco insegura de si mesma e que – esse é o ponto – parece sofrer de uma espécie de “complexo de culpa” por essa insegurança que contudo, e afinal de contas, não é obrigatoriamente negativa.

Razão e Diferença – Márcio Goldman

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Nova suavidade

January 12, 2010 at 3:23 pm (Uncategorized) (, , , )

Mauricio Lissovski – E essa misteriosa “nova suavidade” de que você fala em um dos textos incluídos na Revolução Molecular?

Guattari – A “nova suavidade” faz parte desse tema que estamos discutindo o tempo todo, que é o da invenção de uma outra relação – com o corpo, por exemplo – , relação esta presente nos devires animais. Sair de todos esses modos de subjetivação do corpo nu, do território conjugal, da vontade de poder sobre o corpo do outro, da posse de uma faixa etária por outra, etc. Portanto, para mim, a nova suavidade é o fato de que, efetivamente, um devir mulher, um devir planta,um devir animal, um devir cosmos podem inserir-se nos rizomas de modos de semiotização, sem por isso comprometer o desenvolvimento de uma sociedade, o desenvolvimento das forças produtivas e coisas assim. Quero dizer que, antes , as máquinas de guerra, as máquinas militares , as grandes máquinas industriais eram a única condição para o desenvolvimento das sociedades. Era a força física, a força militar, a afirmação dos valores viris que funcionavam como garantia da consistência de uma sociedade. Sem elas, a devastação era total. Isso existe ainda na Rússia, em todos os países fascistas, nos EUA, etc. Mas hoje em dia as margens (os marginatti), as novas formas de subjetividade, também podem se afirmar em sua vocação de gerir a sociedade, de inventar uma nova ordem social, sem que, para isso, tenham de nortear-se por esses valores falocráticos, competitivos, brutais, etc. Elas podem se expressar por seus devires de desejo.

Mais uma do Micropolítica

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Carta a um Crítico Severo

September 3, 2009 at 7:12 pm (Uncategorized) (, , , , )

O Cyrano disponibilizou um trecho do livro conversações do Deleuze no blog dele. Muito bom dani, já fui correndo e dei uma roubada. Aí vai um treccho de aperitivo:

Você é encantador, inteligente, malevolente, quase ruim. Mais um esforço… afinal, a carta que você me manda, invocando ora o que se diz, ora o que você mesmo pensa, e os dois misturados, é uma espécie de júbilo pela minha suposta infelicidade. Por um lado, você diz que estou acuado, em todos os sentidos, na vida, no ensino, na política, que me tornei uma vedete imunda, que aliás isso não dura muito, e que não tenho saída. Por outro lado, você diz que eu sempre estive a reboque, que sugo o sangue e degusto os venenos de vocês, os verdadeiros experimentadores ou heróis, e que eu mesmo fico à margem, só observando e tirando proveito. Para mim não é nada disso. Já estou tão cheio de verdadeiros ou falsos esquizos que me converteria com prazer à paranóia. Viva a paranóia! O que você pretende me injetar com sua carta é um pouco de ressentimento (você está acuado, você está acuado, “confessa”…) e um pouco de má consciência (não tem vergonha, está a reboque…); se era só isso, não valia a pena me escrever. Você se vinga por ter feito um livro sobre mim. Sua carta está repleta de uma comiseração fingida e de uma real sede de vingança. (Deleuze)

o resto

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Rumeu e Julieta e a Origem do Estado

September 3, 2009 at 6:13 pm (Uncategorized) (, , , )

Esse é um dos textos mais interessantes da antropologia política!! Seu trabalho relaciona Romeu e Julieta, uma obra que é famosa só um pouquinho(rs), e o nascimento do Estado, a partir, principalmente, da leitura de Machiavel.

Mais um ponto pro Viveiros de Castro, dessa vez, com ajuda de Ricardo Benzaquen!!!

Romeu e Julieta e o Nascimento do Estado – Viveiros de Castro

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Radios livres

November 19, 2008 at 10:30 am (Uncategorized) (, , , )

texto totalmente excelente da Flora, abaixo soh a conclusao:

A principal dificuldade que encontramos neste trabalho são os embaraços apresentados ao colocarmos em foco o porta-voz dos não-humanos, ou melhor, quem fala através dos não humanos, visto que estes não são nem objetos, nem fatos. Se pensarmos apenas, seguindo o exemplo do transmissor e do programador de radio, que os não humanos “aparecem como entidades novas que fazem falar aqueles que se reúnem em torno delas” (Latour 2004:128), a dificuldade ainda parece não cessar. O debate que deve ser colocado diz respeito a como Bruno Latour sugeriu em diversos artigos, a voz dos não humanos – Quem fala por eles? Porem, para esse breve artigo nos contentamos a imergir dentro do universo da Radiola e perceber que, nesse caso, a voz do não humano esta no ato defaze-lo capaz de agir e de agrupar o coletivo.

Também é importante chamar a atenção de que humano não se resumem a sujeitos e não humanos não se resumem a objetos. Conceitos como sujeito e objeto são entendidos neste trabalho como formas representativas de separação, incapazes de se reunirem. segundolatour(2004:142):

“a extensão do coletivo permite uma extensão bem diferente dos humanos e ao humanos exigida pela guerra fria entre os objetos e os sujeitos. Estes faziam um jogo de resultado nulo: tudo o que um perdia o outro ganhava e reciprocamente. Os humanos e os não humanos podem, quanto a eles,agregar-se sem exigir o desaparecimento do seu oposto.”

O estudo da Radiola nos faz enxergar a importância das associações, e mais do que isso, a importância dos humanos e nao-humanos na composição das mídias livres no pais. O estudo das Rádios Livres também aparece como uma forma de circunscrever as relações sociais que se configuram atualmente nas sociedades complexas.

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Cultura: um conceito reacionário

August 29, 2008 at 6:48 pm (Uncategorized) (, , , , , , , , )

Digitalizei esse texto em doses homeopáticas, ele se chama Cultura: um conceito reacionário do Félix Guattari publicado no livro Micropolítica: Cartografias do desejo do mesmo autor em parceria com a Suely Rolnik. A idéia de digitaliza-lo vem de várias conversas que já tive a seu respeito, especialmente com o Cyrano e sua digníssima esposa, e de uma idéia embrionária que ando tendo de escrever algo a respeito de mídias livres e microeconomia. O texto está nesse link e acho que serve de um bom parâmetro para pensarmos diversas coisas, para mim, especialmente, as diversas formas de ativismos e de apropriação da palavra cultura, muitas vezes utilizadas por “boas” pessoas (que querem dar, preservar ou consumir/vender cultura) mas que no final das contas correm o risco de reforçar as coisas mais perversas da palavra

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Nietzsche – Ciência e filosofia

July 29, 2008 at 11:01 pm (Uncategorized) (, , , , , )

Sobre a filosofia, a ciência e outras formas de eliminação do corpo:

Supondo que essa vontade encarnada de contradição e antinatureza seja levada a filosofar, onde descarregará seu arbítrio mais íntimo? Naquilo que é experimentado do modo mais seguro como verdadeiro, como real: buscará o erro precisamente ali onde o autêntico instinto de vida situa incondicionalmente a verdade. Fará, por exemplo, como os ascetas da filosofia vedanta, rebaixando a corporalidade a uma ilusão, assim como a dor, a multiplicidade, toda a oposição conceitual de “sujeito” e “objeto” – erros, nada senão erros! Recusar a crença em seu Eu, negar a si mesmo sua “realidade” – que triunfo! – não mais apenas sobre os sentidos, sobre a evidência, mas uma espécie bem mais elevada de triunfo, uma violentação e uma crueldade contra a razão: volúpia que atinge seu cume quanto o autodesprezo, o auto-escárnio ascético da razão decreta: “existe um reino da verdade e do ser, mas precisamente a razão é excluída dele!…”. (Dito de passagem: mesmo no conceito kantiano de “caráter inteligível das coisas” resta ainda algo desta lasciva desarmonia de ascetas, que adora voltar a razão contra a razão: pois “caráter inteligível” significa, em Kant, um modo de constituição das coisas, do qual o intelecto compreende apenas que é, para o intelecto, absolutamente incompreensível.) – Devemos afinal, como homens do conhecimento, ser gratos a tais resolutas inversões das perspectivas e valorações costumeiras, com que o espírito, de modo aparentemente sacrílego e inútil, enfureceu-se consigo mesmo por tanto tempo: ver assim diferente, quererver assim diferente, é uma grande disciplina e preparação do intelecto para a sua futura “objetividade” – a qual não é entendida como “observação desinteressada” (um absurdo sem sentido), mas como a faculdade de ter seu pró e seu contra sob controle e deles poder dispor: de modo a saber utilizar em prol do conhecimento a diversidade de perspectivas e interpretações afetivas. De agora em diante, senhores filósofos, guardemo-nos bem contra a antiga, perigosa fábula conceitual que estabelece um “puro sujeito do conhecimento, isento de vontade, alheio ã dor e ao tempo”, guardemo-nos dos tentáculos de conceitos contraditórios como “razão pura”, “espiritualidade absoluta”, “conhecimento em si”; – tudo isso pede que se imagine um olho que não pode absolutamente ser imaginado, um olho voltado para nenhuma direção, no qual as forças ativas e interpretativas, as que fazem com que ver seja ver-algo, devem estar imobilizadas, ausentes; exige-se do olho, portanto, algo absurdo e sem sentido. Existe apenas uma visão perspectiva, apenas um “conhecer” perspectivo; e quanto mais afetos permitirmos falar sobre uma coisa, quanto mais olhos, diferentes olhos, soubermos utilizar para essa coisa, tanto mais completo será nosso “conceito”18 dela, nossa “objetividade”. Mas eliminar a vontade inteiramente, suspender os afetos todos sem exceção, supondo que o conseguíssemos: como? – não seria castraro intelecto?…

NIetzsche,F. Genealogia da Moral: Terceira dissertação-12

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eterno retorno

July 22, 2008 at 9:32 am (Uncategorized) (, )

todo dia tem poeira

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Monadologia

July 11, 2008 at 11:54 am (Uncategorized) (, , , )

“Não Cora o Livro de Ombrear Com o Sabre, Não Cora o Sabre de Chamá-lo Irmão” (Castro Alves)

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