Haiti

January 15, 2010 at 1:25 pm (Uncategorized) (, , )

E pq não falar do Haiti? To aqui, enquanto meu dente dói pra cachorro, observando esse papo todo sobre o Haiti(Que não é aqui!!). Morte, destruição e etc… Mas no meio  disso tudo  recebi o endereço de um blog que tah sendo elaborado pela equipe do Omar, professor da UNICAMP que esteve na UFMG em 2008 pra falar de seu trabalho em Moçambique, e que também é um pesquisador deste país.

http://lacitadelle.wordpress.com/

Eles que estavam(e ainda estão) no Haiti, passam algumas informações que são no mínimo diferentes das infos que recebemos do lado de baixo das Américas. Uma visão que explora menos a destruição e mostra a capacidade de organização da própria população. Acho engraçado como tenta-se mostrar que na inoperância de uma Ordem tratada por uma normatização estatal e um conjunto de órgãos de funções pré-estabelecidas só pode haver uma existência animalizada e grotesca ausente de qualquer humanidade e sociabilidade. Fica ainda mais fácil, é claro, ao pensarmos em negros e macumbeiros.

O que vemos hoje em Porto Príncipe, dois dias após o terremoto é um exemplo indescritível de civismo e ajuda. Não há o caos, como parte dos jornalistas que nos procuram querem ouvir, as pessoas não estão em desespero e nem há sinal da “barbárie imaginária” que molda o nosso preconceito sobre o Haiti. Os haitianos estão se virando como sempre fizeram após embargos e avanços econômicos internacionais que implodiram a produção local (como conhecemos no caso do trigo norte-americano).

“You have to show destruction” (“Voce deve mostrar a destruicao“) foi o que ouvi de um jornalista norte americano. E de fato há sim sinais de destruicao e morte, que merecem ser retratados. Mas os haitianos encontraram meios criativos e cheios de civismo para contornar essa situação, que nos cabe aqui relatar.

[…]

E então, uma salvação estatal (não falo de órgão internacionais, pois estes deveriam ser capazes de interagir em diferentes codificações) estaria chegando para reestruturar tal civilização:

Ontem e hoje pude sair pela cidade de Port-au-Prince. O que eu vi foi uma população abandonada tentando se virar na medida do possível. Famílias inteiras sentadas na rua conversando e se ajudando.

Não vi nenhum carro da MINUSTAH nem ajuda internacional. Pessoas tentam tirar os escombros de escolas, das universidades e de mercados, na esperança de que haja alguém vivo lá em baixo. Sem escavadeiras, sem trator.

[…]

Não nego  que esse povo deve estar realmente precisando de muita ajuda. Mas sejamos razoáveis e não infantilizemos ninguém nessa história, são homens que têm capacidade de adaptação em crises, como o próprio Brasil que já passou por tantas, e que estão com dificuldades de abastecimento e vão precisar de ajuda para reconstruir suas casas. Gosto da cooperação internecional, só não gosto  de oportunismo e exploração dessas imagens.

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7 Comments

  1. Lilian said,

    E o cônsul brasileiro disse que o terremoto ocorreu porque onde tem africano tem maldição. O problema é o vodu.

    Para quem quiser ter uma noção abissal do quanto tal preconceito é generalizado, NY Times:
    http://www.nytimes. com/2010/ 01/15/opinion/ 15brooks. html?em

    Me assusta o quanto antropólogos parecem gritar há anos para uma platéia de surdos. Tanto tempo depois do surgimento da disciplina e barbárie ainda é vocabulário corrente… será que o problema está sempre com a platéia?

    • zepower said,

      O trem é que os antropólogos não constituem uma unidade em seu discurso… mesmo as ciências sociais americana é voltada demais pra sociobiologia, tentando explicar o nosso comportamento por predisposições biológicas.

      Não sei se é inclusive uma questões de discurso ou de interesse. A imprensa brasileira inclusive execrou o cônsul(nesse link de negros e macumbeiros mostra o cônsul falando e a imprensa discordando do discurso) mas ela mesmo o repete quando se trata de índios ou favelados.

      O engraçado é que o Haiti tem 80% de católicos e nem o papa(tosco do jeito que ele é) disse que isso é culpa da falta de deus no meio desse povo. Acho que pra cima de negros, pobres e caribenhos, qualquer xingamento é tornado válido.

      Esse link que c mandou é massa, e num sei o que é pior, o discurso que eles fazem da “Cultura” ou o da pobreza. Com certeza a mistura dos dois é terrível!

      Ah!, minha mãe tava me explicando que há alguns anos atrás a Cidade do México foi atingida por um mega terremoto desses, mas houveram poucas mortes entre favelados pq o barraco era de madeira(que num racha), eu me divirto!!

    • zepower said,

      Ah, e valeu pelo link do blog também!!

      • Lilian said,

        Ainda bem que os antropólogos não possuem unidade em seu discurso… pelamordedeus pensar o contrário! Mas num acho que seja só questão de unidade ou de falta dela, mas de postura em relação ao próprio discurso de cada um. E nesse ponto esse blog dos pesquisadores, de um modo incrivelmente simples, despretensioso apesar da gigantesca repercussão, me fez sentir um pouco mais de cerne na proposta de levar alguém a sério. E acho que principalmente pq eles num tavam falando pra antropólogos somente.

    • Denise said,

      Exatamente!
      Concordo com Lilian.

      Em geral antropólogos não se preocupam com o seu público.

      • zepower said,

        Sim sim… de certa forma tb concordo!! num sei se uma questão de linguagem ou é de tema mesmo!!

        Será que dá pra fazer alguma plataforma, nem que seja um simples blog, pra conciliarmos antropologia e uma certa comunicação/ação?? Acho que isso seria realmente uma proposta interessante!! Já há algo parecido?? deve haver nos estrangeiros!!

  2. Lilian said,

    uai, vc mesmo já fazendo
    tem mais um monte de gente
    e pra mim os melhores gritos são os ecoam sem maiores estardalhaços

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