Punk

January 27, 2010 at 7:40 am (Uncategorized) (, , )

Das feridas
Que a pobreza cria
Sou o pus
Sou o que de resto
Restaria aos urubus
Pus por isso mesmo
Este blusão carniça
Fiz no rosto
Este make-up pó caliça
Quis trazer assim
Nossa desgraça à luz…

Ter cabelo
Tipo índio moicano
Me apraz!
Saber que
Entraremos pelo cano
Satisfaz!
Vós tereis um padre
Prá rezar a missa
Dez minutos antes
De virar fumaça
Nós ocuparemos
A Praça da Paz…

Sou um punk da periferia
Sou da Freguesia do Ó
Ó! Ó Ó Ó Ó Ó Ó Ó!
Aqui prá vocês!
Sou da Freguesia…(2x)

Transo lixo
Curto porcaria
Tenho dó
Da esperança vã
Da minha tia
Da vovó
Esgotados
Os poderes da ciência
Esgotada
Toda a nossa paciência
Eis que esta cidade
É um esgoto só…

Punk Da Periferia – Gilberto Gil

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O Haiti é aqui

January 19, 2010 at 4:16 pm (Uncategorized) (, , , , )

To aqui pensando em como tratar de assuntos antropológicos em outras instâncias que não somente uma conversa de cumpades e quando eu vejo a Globo(ai a Globo), o que a Lilian me diz faz ainda mais sentido. Nesse momento estar lá parece-me uma questão ainda mais importante, relatos como o de Rubem César, Presidente da ONG Viva Rio, e os de um comitê de pesquisadores da UNICAMP no Haiti que montaram um simples blog, me passam a importância de estar lá, de ouvir alguém que se deixou sentir pelo lugar aonde está.

E olha, pela estupidez da Rede Globo, como essas coisas são realmente necessárias:

[fonte: Globo]

Em situações de completo caos, como é o caso do Haiti, a generosidade e a humanidade caem por terra, dizem os estudiosos. O que prevalece é o instinto. Uma disputa quase animal, sem regras, pela sobrevivência.

“Infelizmente são comportamentos primários que cada indivíduo tem de manter a sua integridade como ser humano. Então a pessoa desesperada procura comida para poder se alimentar e alimentar os seus que estão precisando”, explica Eduardo Ferreira Santos, psiquiatra.

E daí ele diz que isso deriva de uma situação em que a falta de água, de alimentos e abrigo prejudicam a região do córtex cerebral, responsável pela moral e a humanidade(só faltou falar da propriedade e bons costumes). E o mais interessante, os exemplos que demonstram tal comportamento primário não é só a luta por comida (muito comum na festa de aniversário de São Paulo…rs) mas pela organização em pequenos grupos que se unem para dormir em praças. Mas que comentário infeliz desse psiquiatra

Ele diz ainda que enquanto não houver uma organização, uma forma de comando, eles continuarão formando grupos para se proteger.

Oooohh… e aí quando chegar tal forma de comando(ainda em disputa entre EUA, Brasil e ONU, como previu Hobbes e Maquiavel) vai todo mundo pra casa? Eu digo que já há algumas formas de comando, que não são nações querendo controlar as outras, mas grupos se gerindo, solidarizando-se e criando alternativas. Mas vê-se que parte do discurso dessas missões de ajuda ao Haiti não se restringem a essa pauta… mas querem também o poder central: quantos Marines o Brasil ou os EUA poderão levar à ilha?

Lembrei-me da música do Caetano Veloso, que em meio a milhões de desgraças no Brasil, a classe média e alta deste enviava alimentos ao Haiti.

O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

Esta música ainda me parece atual. Quem me parece ter o córtex cerebral danificado? Acho que o Haiti é aqui… e estes famintos insaciáveis que sempre nos saquearam, querem saquear o Haiti.

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Haiti

January 15, 2010 at 1:25 pm (Uncategorized) (, , )

E pq não falar do Haiti? To aqui, enquanto meu dente dói pra cachorro, observando esse papo todo sobre o Haiti(Que não é aqui!!). Morte, destruição e etc… Mas no meio  disso tudo  recebi o endereço de um blog que tah sendo elaborado pela equipe do Omar, professor da UNICAMP que esteve na UFMG em 2008 pra falar de seu trabalho em Moçambique, e que também é um pesquisador deste país.

http://lacitadelle.wordpress.com/

Eles que estavam(e ainda estão) no Haiti, passam algumas informações que são no mínimo diferentes das infos que recebemos do lado de baixo das Américas. Uma visão que explora menos a destruição e mostra a capacidade de organização da própria população. Acho engraçado como tenta-se mostrar que na inoperância de uma Ordem tratada por uma normatização estatal e um conjunto de órgãos de funções pré-estabelecidas só pode haver uma existência animalizada e grotesca ausente de qualquer humanidade e sociabilidade. Fica ainda mais fácil, é claro, ao pensarmos em negros e macumbeiros.

O que vemos hoje em Porto Príncipe, dois dias após o terremoto é um exemplo indescritível de civismo e ajuda. Não há o caos, como parte dos jornalistas que nos procuram querem ouvir, as pessoas não estão em desespero e nem há sinal da “barbárie imaginária” que molda o nosso preconceito sobre o Haiti. Os haitianos estão se virando como sempre fizeram após embargos e avanços econômicos internacionais que implodiram a produção local (como conhecemos no caso do trigo norte-americano).

“You have to show destruction” (“Voce deve mostrar a destruicao“) foi o que ouvi de um jornalista norte americano. E de fato há sim sinais de destruicao e morte, que merecem ser retratados. Mas os haitianos encontraram meios criativos e cheios de civismo para contornar essa situação, que nos cabe aqui relatar.

[…]

E então, uma salvação estatal (não falo de órgão internacionais, pois estes deveriam ser capazes de interagir em diferentes codificações) estaria chegando para reestruturar tal civilização:

Ontem e hoje pude sair pela cidade de Port-au-Prince. O que eu vi foi uma população abandonada tentando se virar na medida do possível. Famílias inteiras sentadas na rua conversando e se ajudando.

Não vi nenhum carro da MINUSTAH nem ajuda internacional. Pessoas tentam tirar os escombros de escolas, das universidades e de mercados, na esperança de que haja alguém vivo lá em baixo. Sem escavadeiras, sem trator.

[…]

Não nego  que esse povo deve estar realmente precisando de muita ajuda. Mas sejamos razoáveis e não infantilizemos ninguém nessa história, são homens que têm capacidade de adaptação em crises, como o próprio Brasil que já passou por tantas, e que estão com dificuldades de abastecimento e vão precisar de ajuda para reconstruir suas casas. Gosto da cooperação internecional, só não gosto  de oportunismo e exploração dessas imagens.

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Nova suavidade

January 12, 2010 at 3:23 pm (Uncategorized) (, , , )

Mauricio Lissovski – E essa misteriosa “nova suavidade” de que você fala em um dos textos incluídos na Revolução Molecular?

Guattari – A “nova suavidade” faz parte desse tema que estamos discutindo o tempo todo, que é o da invenção de uma outra relação – com o corpo, por exemplo – , relação esta presente nos devires animais. Sair de todos esses modos de subjetivação do corpo nu, do território conjugal, da vontade de poder sobre o corpo do outro, da posse de uma faixa etária por outra, etc. Portanto, para mim, a nova suavidade é o fato de que, efetivamente, um devir mulher, um devir planta,um devir animal, um devir cosmos podem inserir-se nos rizomas de modos de semiotização, sem por isso comprometer o desenvolvimento de uma sociedade, o desenvolvimento das forças produtivas e coisas assim. Quero dizer que, antes , as máquinas de guerra, as máquinas militares , as grandes máquinas industriais eram a única condição para o desenvolvimento das sociedades. Era a força física, a força militar, a afirmação dos valores viris que funcionavam como garantia da consistência de uma sociedade. Sem elas, a devastação era total. Isso existe ainda na Rússia, em todos os países fascistas, nos EUA, etc. Mas hoje em dia as margens (os marginatti), as novas formas de subjetividade, também podem se afirmar em sua vocação de gerir a sociedade, de inventar uma nova ordem social, sem que, para isso, tenham de nortear-se por esses valores falocráticos, competitivos, brutais, etc. Elas podem se expressar por seus devires de desejo.

Mais uma do Micropolítica

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