Samba

August 29, 2008 at 6:17 pm (Uncategorized) (, , , )

Duke Ellington disse certa vez que o blues é sempre cantado por uma terceira pessoa, “aquela que não está ali”. A canção, entenda-se, não seria acionada pelos dois amantes (falante e ouvinte ou falante e referente implícitos no texto), mas por um terceiro que falta – o que os arrasta e fascina.

A frase do band-leader norte-americano é uma metáfora para a causa fascinante do jazz: a síncopa, a batida que falta. Síncopa, sabe-se, é a ausência no compaço da marcação de um um tempo(fraco) que, no entento, repercute noutro mais forte. A missing beat pode ser o missing link explicativo do poder mobilizador da música negra nas Américas. De fato, tanto no jazz como no samba, atua de modo muito especial a síncopa, incitando o ouvinte a preencher o tempo vazio com a marcação corporal – palmas, maneios, balanços, dança. É o corpo que também falta — no apelo da síncopa. Sua força magnética, compulsiva mesmo, vem do impulso (provocado pelo vazio rítmico) de se completar a ausência do tempo com a dinâmica do movimento no espaço.

O texto é de Muniz Sodré em Samba: O dono do Corpo de edição da Codedri de 1979.

A imagem tirei de Ludmila Tavares e por sinal achei ótima.

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