Cultura: um conceito reacionário

August 29, 2008 at 6:48 pm (Uncategorized) (, , , , , , , , )

Digitalizei esse texto em doses homeopáticas, ele se chama Cultura: um conceito reacionário do Félix Guattari publicado no livro Micropolítica: Cartografias do desejo do mesmo autor em parceria com a Suely Rolnik. A idéia de digitaliza-lo vem de várias conversas que já tive a seu respeito, especialmente com o Cyrano e sua digníssima esposa, e de uma idéia embrionária que ando tendo de escrever algo a respeito de mídias livres e microeconomia. O texto está nesse link e acho que serve de um bom parâmetro para pensarmos diversas coisas, para mim, especialmente, as diversas formas de ativismos e de apropriação da palavra cultura, muitas vezes utilizadas por “boas” pessoas (que querem dar, preservar ou consumir/vender cultura) mas que no final das contas correm o risco de reforçar as coisas mais perversas da palavra

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Samba

August 29, 2008 at 6:17 pm (Uncategorized) (, , , )

Duke Ellington disse certa vez que o blues é sempre cantado por uma terceira pessoa, “aquela que não está ali”. A canção, entenda-se, não seria acionada pelos dois amantes (falante e ouvinte ou falante e referente implícitos no texto), mas por um terceiro que falta – o que os arrasta e fascina.

A frase do band-leader norte-americano é uma metáfora para a causa fascinante do jazz: a síncopa, a batida que falta. Síncopa, sabe-se, é a ausência no compaço da marcação de um um tempo(fraco) que, no entento, repercute noutro mais forte. A missing beat pode ser o missing link explicativo do poder mobilizador da música negra nas Américas. De fato, tanto no jazz como no samba, atua de modo muito especial a síncopa, incitando o ouvinte a preencher o tempo vazio com a marcação corporal – palmas, maneios, balanços, dança. É o corpo que também falta — no apelo da síncopa. Sua força magnética, compulsiva mesmo, vem do impulso (provocado pelo vazio rítmico) de se completar a ausência do tempo com a dinâmica do movimento no espaço.

O texto é de Muniz Sodré em Samba: O dono do Corpo de edição da Codedri de 1979.

A imagem tirei de Ludmila Tavares e por sinal achei ótima.

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Rede

August 23, 2008 at 5:16 pm (Uncategorized) ()

Quero voltar para Pasargada

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Oxóssi

August 22, 2008 at 10:18 pm (Uncategorized) ()

Os filhos de Oxossi são geralmente pessoas joviais, rápidas e espertas, tanto mental como fisicamente. Seus filhos, portanto são aqueles em que a vida apresenta forte necessidade de independência e de rompimento de laços. Assim os filhos de Oxossi trazem em seu inconsciente o gosto pelo ficar calado, a necessidade do silêncio e desenvolver a observação tão importantes para seu Orixá. Quando em perseguição a um objetivo, mantêm-se de olhos bem abertos e ouvidos atentos.

Sua luta é baseada na necessidade de sobrevivência e não no desejo de expansão e conquista.

É basicamente reservado, guardando quase que exclusivamente para si seus comentários e sensações, sendo muito discreto quanto ao seu próprio humor e disposição.

Os filhos de Oxossi, portanto, não gostam de fazer julgamentos sobre os outros, respeitando como sagrado o espaço individual de cada um. Buscam preferencialmente trabalhos e funções que possam ser desempenhados de maneira independente, sem ajuda nem participação de muita gente, não gostando do trabalho em equipe. Ao mesmo tempo , é marcado por um forte sentido de dever e uma grande noção de responsabilidade.

O tipo psicológico, do filho de Oxossi é refinado e de notável beleza. É o Orixá dos artistas intelectuais. É dotado de um espírito curioso, observador de grande penetração. São cheios de manias, volúveis em suas reações amorosas, multo susceptíveis e tidos como “complicados”. É solitário, misterioso, discreto, introvertido. Não se adapta facilmente à vida urbana e é geralmente um desbravador, um pioneiro. Possui extrema sensibilidade, qualidades artísticas, criatividade e gosto depurado. Sua estrutura psíquica é muito emotiva e romântica.

imagem de: http://www.paijose.com.br

uma das fonte: http://www.casaiemanjaiassoba.com.br/oxossi.html

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Comunicação Social

August 13, 2008 at 8:07 am (Uncategorized) (, )

Não q eu esteja realmente preocupado com a situação da comunicação social na Itália, mas o comentário desse cara, embora excessivamente rebuscado, me contempla, principalmente quando fala de sua formação instrumental.

As novas opções didáticas da Faculdade de Comunicação “La Sapienza” me impõem tornar públicas algumas perplexidades, posto que, face à indubitável crise do sistema trienal, decidiu-se reestruturar a grade de estudos segundo uma visão de comunicação restaurativa, esmagando a existente. Desta forma, a ciência da comunicação corre o risco de se reduzir a uma preparação profissional voltada para o jornalismo; conexões experimentais e trans-disciplinares que emergem na comunicação digital (estendidas para o design, arquitetura, publicidade, performance, música, moda, arte, etc.) são muitas vezes mal compreendidas, “descontroladas” ou neutralizadas na “técnica”, sendo ignoradas, por conseguinte, aquelas pesquisas que tentam modificar os paradigmas expositivos, as composições expressivas, as narrativas multisequenciais.

Esta tendência em encerrar a comunicação dentro de um jornalismo asfixiado em apologia à mídia empobrece a Faculdade, transforma os professores em funcionários da “indústria cultural”, treina os alunos para a renúncia da inovação e para o consentimento disciplinado, fecha aos novos profissionais visões, estilos, linguagens, estando indiferente para as perspectivas que, em universidades no exterior, já há algum tempo são aplicadas nesta área (veja o papel da antropologia no Estudos da Mídia – como MIT, Universidade Humboldt, Escola de Comunicação e Arte). Tudo isso ameaça configurar-se em um provincianismo disciplinar, endogamia dos meios de comunicação social, desconfiando do que é emergente, subtraindo o potencial digital.

A matéria que ensinei por mais de 20 anos – Antropologia Cultural, matéria fundamental para os estudantes do primeiro ano – foi eliminada, tanto em Roma, na Itália, como em outros lugares, quando seria necessário multiplicar a investigação com esta orientação, para contrastar às perigosas ondas racistas, os fechamentos locais, decisionismi verticistici, grettezze dos meios de comunicação social. Preferiu-se, ao contrário, incidir sobre os temas “clássicos” (direito e história), eliminando a primeira das três principais disciplinas das ciências sociais (antropologia, sociologia, psicologia). O professor que a ensinava vem do “exílio” durante o terceiro ano do curso de Cooperação e Desenvolvimento, para uma matéria chamada Comunicação Intercultural. Já no título do curso se exprime a continuidade de uma dominação neo-colonial no Ocidente contra um outro mundo: que a “cooperação” esteja focada em fornecer ajuda econômica aos licenciados e aos respectivos países onde residem, antes que ao “outro” deveria ser óbvio; e sobre a crítica do conceito de “desenvolvimento” foram escritas tantas redações antes e depois de ’68 que é aborrecedor apenas ter de lembrar isso. Depois que se cria uma matéria como Comunicação Intercultural, que já no nome reforça o enclausuramento identitário e cultural, a regressão científica e educacional, infelizmente, parece ser compatível com as políticas da “liga romana” adaptada ao clima predominante, onde um pegajoso catolicismo tenta controlar governos e oposições, universidades, faculdades, professores.

As referências nas quais minha cadeira está inspirada estão localizadas, entre outras, na veia antropológica inaugurada por Gregory Bateson: que, a partir de sua investigação pioneira em Bali, permitiu-lhe elaborar uma dupla ligação, um conceito entre os mais extraordinários, aplicável tanto à comunicação “normalmente” psico-patológica quanto aos nascentes meios de comunicação social; culminando em sua colaboração com a Wiener em suas primeiras pesquisas sobre cibernética. Ao invés de se envolver com santos e madonne, procissões e provérbios – temas muitas vezes exclusivos para nosso ensino – a investigação antropológica de Bateson se inseria nos fluxos comerciais já na época da emergência da comunicação, da tecnologia, da alteridade.

Por último, esta carta não reivindica nada pessoal (vou me aposentar a partir do próximo ano e, em seguida, deixar esta Faculdade). Ela exprime um posicionamento político-cultural que identifica, na crescente crise aparentemente irreversível da Faculdade de Ciência da Comunicação, uma questão sobre a qual se endereça à reflexão crítica, de interesse dos professores, estudantes, trabalhadores: daqueles que vivem e respiram o ar de uma universidade e procuram dar sentido ao futuro possível, e não se limitam a reproduzir o pior dos presentes midiatizados.

Lettera aperta per la Facoltà di Scienze della Comunicazione – Massimo Canevacci

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cheiro da chuva

August 5, 2008 at 3:20 pm (Uncategorized) (, )

Hoje começou a chover, coisa que não acontecia a muito tempo… quando senti o cheiro da chuva, vim correndo pro blog pra escrever. Quando me lembrei que cheiro não se escreve senti uma mistura de coisas que ainda não sei o que era!

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Edith Piaf- je ne regrette rien

August 2, 2008 at 10:02 pm (Uncategorized) (, )

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