Cultura: um conceito reacionário
Digitalizei esse texto em doses homeopáticas, ele se chama Cultura: um conceito reacionário do Félix Guattari publicado no livro Micropolítica: Cartografias do desejo do mesmo autor em parceria com a Suely Rolnik. A idéia de digitaliza-lo vem de várias conversas que já tive a seu respeito, especialmente com o Cyrano e sua digníssima esposa, e de uma idéia embrionária que ando tendo de escrever algo a respeito de mídias livres e microeconomia. O texto está nesse link e acho que serve de um bom parâmetro para pensarmos diversas coisas, para mim, especialmente, as diversas formas de ativismos e de apropriação da palavra cultura, muitas vezes utilizadas por “boas” pessoas (que querem dar, preservar ou consumir/vender cultura) mas que no final das contas correm o risco de reforçar as coisas mais perversas da palavra
tuaregs
Puxando do cyranodisse que vai quase virar tag no meu blog
…eu acho que a vida cotidiana nas sociedades contemporâneas é como um deserto, um imenso deserto árido e inóspito que cada um atravessa mais ou menos como pode, com as condições de que dispõe. Os movimentos moleculares são como os antigos tuaregs, que atravessam o Saara com suas caravanas estabelecendo contato entre povos distantes e buscando abrigo nos oásis. Eles são os novos tuaregs, cruzando esse deserto em busca de novos oásis de prazer, fazendo contato com outras caravanas. Já os partidos são como as grandes empresas capitalistas, com seus projetos de construção de imensas represas para irrigarem o deserto e transformarem tudo. Eu gosto particularmente dessa metáfora porque eu andei sabendo recentemente que os ecologistas descobriram que a visão que se costumava ter do deserto como um lugar morto, onde não existe vida, é completamente falsa. Existe todo um meio ambiente próprio do deserto, com suas formas de vida próprias. Portanto, irrigar o deserto é também uma espécie de desastre ecológico. Talvez os grupos minoritários estejam mais corretos percorrendo o deserto da vida cotidiana em suas caravanas, como novos tuaregs, sem se preocuparem com obras de irrigação e represas…
– um tal de Marcus do Rio, pirando na batatinha. (do livro Micropolítica: cartografias do desejo)