Radios livres

November 19, 2008 at 10:30 am (Uncategorized) (, , , )

texto totalmente excelente da Flora, abaixo soh a conclusao:

A principal dificuldade que encontramos neste trabalho são os embaraços apresentados ao colocarmos em foco o porta-voz dos não-humanos, ou melhor, quem fala através dos não humanos, visto que estes não são nem objetos, nem fatos. Se pensarmos apenas, seguindo o exemplo do transmissor e do programador de radio, que os não humanos “aparecem como entidades novas que fazem falar aqueles que se reúnem em torno delas” (Latour 2004:128), a dificuldade ainda parece não cessar. O debate que deve ser colocado diz respeito a como Bruno Latour sugeriu em diversos artigos, a voz dos não humanos – Quem fala por eles? Porem, para esse breve artigo nos contentamos a imergir dentro do universo da Radiola e perceber que, nesse caso, a voz do não humano esta no ato defaze-lo capaz de agir e de agrupar o coletivo.

Também é importante chamar a atenção de que humano não se resumem a sujeitos e não humanos não se resumem a objetos. Conceitos como sujeito e objeto são entendidos neste trabalho como formas representativas de separação, incapazes de se reunirem. segundolatour(2004:142):

“a extensão do coletivo permite uma extensão bem diferente dos humanos e ao humanos exigida pela guerra fria entre os objetos e os sujeitos. Estes faziam um jogo de resultado nulo: tudo o que um perdia o outro ganhava e reciprocamente. Os humanos e os não humanos podem, quanto a eles,agregar-se sem exigir o desaparecimento do seu oposto.”

O estudo da Radiola nos faz enxergar a importância das associações, e mais do que isso, a importância dos humanos e nao-humanos na composição das mídias livres no pais. O estudo das Rádios Livres também aparece como uma forma de circunscrever as relações sociais que se configuram atualmente nas sociedades complexas.

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Cultura: um conceito reacionário

August 29, 2008 at 6:48 pm (Uncategorized) (, , , , , , , , )

Digitalizei esse texto em doses homeopáticas, ele se chama Cultura: um conceito reacionário do Félix Guattari publicado no livro Micropolítica: Cartografias do desejo do mesmo autor em parceria com a Suely Rolnik. A idéia de digitaliza-lo vem de várias conversas que já tive a seu respeito, especialmente com o Cyrano e sua digníssima esposa, e de uma idéia embrionária que ando tendo de escrever algo a respeito de mídias livres e microeconomia. O texto está nesse link e acho que serve de um bom parâmetro para pensarmos diversas coisas, para mim, especialmente, as diversas formas de ativismos e de apropriação da palavra cultura, muitas vezes utilizadas por “boas” pessoas (que querem dar, preservar ou consumir/vender cultura) mas que no final das contas correm o risco de reforçar as coisas mais perversas da palavra

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Nietzsche – Ciência e filosofia

July 29, 2008 at 11:01 pm (Uncategorized) (, , , , , )

Sobre a filosofia, a ciência e outras formas de eliminação do corpo:

Supondo que essa vontade encarnada de contradição e antinatureza seja levada a filosofar, onde descarregará seu arbítrio mais íntimo? Naquilo que é experimentado do modo mais seguro como verdadeiro, como real: buscará o erro precisamente ali onde o autêntico instinto de vida situa incondicionalmente a verdade. Fará, por exemplo, como os ascetas da filosofia vedanta, rebaixando a corporalidade a uma ilusão, assim como a dor, a multiplicidade, toda a oposição conceitual de “sujeito” e “objeto” – erros, nada senão erros! Recusar a crença em seu Eu, negar a si mesmo sua “realidade” – que triunfo! – não mais apenas sobre os sentidos, sobre a evidência, mas uma espécie bem mais elevada de triunfo, uma violentação e uma crueldade contra a razão: volúpia que atinge seu cume quanto o autodesprezo, o auto-escárnio ascético da razão decreta: “existe um reino da verdade e do ser, mas precisamente a razão é excluída dele!…”. (Dito de passagem: mesmo no conceito kantiano de “caráter inteligível das coisas” resta ainda algo desta lasciva desarmonia de ascetas, que adora voltar a razão contra a razão: pois “caráter inteligível” significa, em Kant, um modo de constituição das coisas, do qual o intelecto compreende apenas que é, para o intelecto, absolutamente incompreensível.) – Devemos afinal, como homens do conhecimento, ser gratos a tais resolutas inversões das perspectivas e valorações costumeiras, com que o espírito, de modo aparentemente sacrílego e inútil, enfureceu-se consigo mesmo por tanto tempo: ver assim diferente, quererver assim diferente, é uma grande disciplina e preparação do intelecto para a sua futura “objetividade” – a qual não é entendida como “observação desinteressada” (um absurdo sem sentido), mas como a faculdade de ter seu pró e seu contra sob controle e deles poder dispor: de modo a saber utilizar em prol do conhecimento a diversidade de perspectivas e interpretações afetivas. De agora em diante, senhores filósofos, guardemo-nos bem contra a antiga, perigosa fábula conceitual que estabelece um “puro sujeito do conhecimento, isento de vontade, alheio ã dor e ao tempo”, guardemo-nos dos tentáculos de conceitos contraditórios como “razão pura”, “espiritualidade absoluta”, “conhecimento em si”; – tudo isso pede que se imagine um olho que não pode absolutamente ser imaginado, um olho voltado para nenhuma direção, no qual as forças ativas e interpretativas, as que fazem com que ver seja ver-algo, devem estar imobilizadas, ausentes; exige-se do olho, portanto, algo absurdo e sem sentido. Existe apenas uma visão perspectiva, apenas um “conhecer” perspectivo; e quanto mais afetos permitirmos falar sobre uma coisa, quanto mais olhos, diferentes olhos, soubermos utilizar para essa coisa, tanto mais completo será nosso “conceito”18 dela, nossa “objetividade”. Mas eliminar a vontade inteiramente, suspender os afetos todos sem exceção, supondo que o conseguíssemos: como? – não seria castraro intelecto?…

NIetzsche,F. Genealogia da Moral: Terceira dissertação-12

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eterno retorno

July 22, 2008 at 9:32 am (Uncategorized) (, )

todo dia tem poeira

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Monadologia

July 11, 2008 at 11:54 am (Uncategorized) (, , , )

“Não Cora o Livro de Ombrear Com o Sabre, Não Cora o Sabre de Chamá-lo Irmão” (Castro Alves)

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Cientísta

July 2, 2008 at 11:21 am (Uncategorized) (, , )

Oráculo dotado do poder de escrever errado por linhas retas.

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TAZ

July 1, 2008 at 5:48 pm (Uncategorized) (, , , )

Roubado de rizoma.net e do Hakim Bay

Em termos situacionistas, desaparecimento do artista É “a supressão e a realização da arte”. Mas de onde nós desaparecemos? E algum dia seremos vistos ou ouvirão falar de nós outra vez? Iremos para Croatã: qual é o nosso destino? Toda a nossa arte consiste em uma mensagem de adeus para a história – “Fomos para Croatã” – mas onde é isso, e o que faremos lá?

Em primeiro lugar: não estamos nos referindo a um desaparecimento literal do mundo e do futuro: nenhuma fuga para o passado, para uma “sociedade original de lazer” paleolítica; nenhuma utopia eterna, nenhum esconderijo na montanha, nenhuma ilha; e, também, nenhuma utopia pós-revolucionária – provavelmente nenhuma revolução! – e também nenhuma estação espacial anarquista. Nem aceitamos uma “desaparição baudrillardiana” no silêncio de uma ironia hiper-conformista. Não pretendo provocar discussões com os Rimbauds que fogem da Arte para qualquer Abissínia que logram encontrar. Mas não podemos construir uma estética, nem mesmo uma estética do desaparecimento, com a simples ação de nunca mais voltar. Ao dizer que não fazemos parte da vanguarda e que não há vanguarda, nós escrevemos nosso “Fomos para Croatã”. E então a questão passa a ser: como conceber “a vida cotidiana” em Croatã? Especialmente se não podemos dizer que Croatã existe no Tempo (Idade da Pedra ou Pós-Revolução) ou no Espaço, seja na forma de uma utopia ou em algum vilarejo esquecido no meio-oeste ou na Abissínia. Onde e quando existe o mundo da criatividade não-mediada? Se ele pode existir, ele existe, mas talvez apenas como algum tipo de realidade paralela que até agora não pudemos perceber. Onde poderíamos encontrar as sementes – ervas daninhas brotando entre as rachaduras das nossas calçadas – desse outro mundo para nosso mundo? As pistas, a direção correia? Um dedo apontando para a lua?

Acredito, ou ao menos gostaria de propor, que a única solução para a “supressão e realização” da arte está na emergência da TAZ. Rejeito veementemente a crítica que diz que a própria TAZ não é “nada além” de uma obra de arte, muito embora ela possa vestir alguns de seus enfeites. Eu sugiro que a TAZ é o único “lugar” e “tempo” possível para a arte acontecer pelo mero prazer do jogo criativo, e como uma contribuição real para as forças que permitem que a TAZ se forme e se manifeste.

A arte no Mundo da Arte tornou-se uma mercadoria. Porém, ainda mais complexa é a questão da representação em si, e a recusa de toda mediação. Na TAZ, arte como uma mercadoria será simplesmente impossível. Ao contrário, a arte será uma condição de vida. A mediação é difícil de ser superada, mas a remoção de todas as barreiras entre artistas e “usuários” da arte tenderá a uma condição na qual (como A.K. Coomaraswamy escreveu) “o artista não é um tipo especial de pessoa, mas toda pessoa é um tipo especial de artista”.

Em suma: o desaparecimento não é necessariamente uma “catástrofe”, exceto no sentido matemático de “uma repentina mudança topológica”. Todos os gestos positivos aqui esboçados parecem envolver vários graus de invisibilidade em vez da confrontação revolucionária tradicional. A New Left nunca acreditou realmente em sua própria existência até que viu seu nome no jornal. A Nova Autonomia, por sua vez, ou conseguirá infiltrar-se na mídia e “subvertê-la” desde dentro, ou nunca será “vista”. A TAZ não existe apenas além do Controle, mas também além da definição, além do olhar e da nomenclatura como atos de escravização, além da possibilidade de compreensão do Estado, além da capacidade perceptiva do Estado.

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tuaregs

July 1, 2008 at 5:28 pm (Uncategorized) (, , , )

Puxando do cyranodisse que vai quase virar tag no meu blog

…eu acho que a vida cotidiana nas sociedades contemporâneas é como um deserto, um imenso deserto árido e inóspito que cada um atravessa mais ou menos como pode, com as condições de que dispõe. Os movimentos moleculares são como os antigos tuaregs, que atravessam o Saara com suas caravanas estabelecendo contato entre povos distantes e buscando abrigo nos oásis. Eles são os novos tuaregs, cruzando esse deserto em busca de novos oásis de prazer, fazendo contato com outras caravanas. Já os partidos são como as grandes empresas capitalistas, com seus projetos de construção de imensas represas para irrigarem o deserto e transformarem tudo. Eu gosto particularmente dessa metáfora porque eu andei sabendo recentemente que os ecologistas descobriram que a visão que se costumava ter do deserto como um lugar morto, onde não existe vida, é completamente falsa. Existe todo um meio ambiente próprio do deserto, com suas formas de vida próprias. Portanto, irrigar o deserto é também uma espécie de desastre ecológico. Talvez os grupos minoritários estejam mais corretos percorrendo o deserto da vida cotidiana em suas caravanas, como novos tuaregs, sem se preocuparem com obras de irrigação e represas…

– um tal de Marcus do Rio, pirando na batatinha. (do livro Micropolítica: cartografias do desejo)

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genealogia da moral

June 30, 2008 at 7:23 pm (Uncategorized) (, , )

Pirando na Genealogia da Moral do Nietzsche

12.

Ainda uma palavra sobre a origem e a finalidade do castigo – dois problemas distintos, ou que se deveria distinguir: infelizmente se costuma confundi-las. Como procederam neste caso os genealogistas da moral? De modo ingênuo, como sempre -: descobrem no castigo uma “finalidade” qualquer, por exemplo a vingança, ou a intimidação, colocam despreocupadamente essa finalidade no começo, como causafiendi[causa da origem] do castigo, e – é tudo. Mas a “finalidade no direito” é a última coisa a se empregar na história da gênese do direito: pois não há princípio mais importante para toda ciência histórica do que este, que com tanto esforço se conquistou, mas que também deveria estar realmente conquistado – o de que a causa da gênese de uma coisa e a sua utilidade final, a sua efetiva utilização e inserção em um sistema de finalidades, diferem toto coelo [totalmente]; de que algo existente, que de algum modo chegou a se realizar, é sempre reinterpretado para novos fins, requisitado de maneira nova, transformado e redirecionado para uma nova utilidade, por um poder que lhe é superior; de que todo acontecimento do mundo orgânico é um subjugar e assenhorear-se, e todo subjugar e assenhorear-se é uma nova interpretação, um ajuste, no qual o “sentido” e a “finalidade” anteriores são necessariamente obscurecidos ou obliterados. Mesmo tendo-se compreendido bem a utilidade de um órgão fisiológico (ou de uma instituição de direito, de um costume social, de um uso político, de uma determinada forma nas artes ou no culto religioso), nada se compreendeu acerca de sua gênese: por mais molesto e desagradável que isto soe aos ouvidos mais velhos – pois de há muito se acreditava perceber no fim demonstrável, na utilidade de uma coisa, uma forma, umna instituição, também a razão de sua gênese, o olho tendo sido feito para ver, e a mão para pegar. Assim se imaginou o castigo como inventado para castigar. Mas todos os fins, todas as utilidades são apenas indícios de que uma vontade de poder se assenhoreou de algo menos poderoso e lhe imprimiu o sentido de uma função; e toda a história de uma “coisa”, um órgão, um uso, pode desse modo ser uma ininterrupta cadeia de signos de sempre novas interpretações e ajustes, cujas causas nem precisam estar relacionadas entre si, antes podendo se suceder e substituir de maneira meramente casual. Logo, o “desenvolvimento” de uma coisa, um uso, um órgão, é tudo menos o seu progressusem direção a uma meta, menos ainda umprogressuslógico e rápido, obtido com um dispêndio mínimo de forças mas sim a sucessão de processos de subjugamento que nela ocorrem, mais ou menos profundos, mais ou menos interdependentes, juntamente com as resistências que a cada vez encontram, as metamorfoses tentadas com o fim de defesa e reação, e também os resultados de ações contrárias bemsucedidas. Se a forma é fluida, o “sentido” é mais ainda… Mesmo no interior de cada organismo não é diferente: a cada crescimento essencial do todo muda também o “sentido” dos órgãos individuais – em certas circunstâncias a sua ruína parcial, a sua diminuição em número (pela destruição dos componentes intermediários, por exemplo) pode ser um signo de crescente força e perfeição. Quero dizer que também a inutilização parcial, a atrofia e degeneração, a perda de sentido e propósito, a morte, em suma, está entre as condições para o verdadeiro progressus; o qual sempre aparece em forma de vontade e via de maior poder, e é sempre imposto à custa de inúmeros poderes menores. A magnitude de um “avanço”, inclusive, se mede pela massa daquilo que teve de lhe ser sacrificado; a humanidade enquanto massa sacrificada ao flores cimento de uma mais forte espécie de homem – isto seria um avanço… Dou ênfase a esse ponto de vista capital do método histórico, tanto mais porque vai de encontro ao gosto e aos instintos agora dominantes, que antes se conciliariam até mesmo com a contingência absoluta, com a mecânica absurdidade de todo acontecer, do que com a teoria de uma vontade de poder operante em todo acontecer. A idiossincrasia democrática contra tudo o que domina e quer dominar, o moderno misarquismo19 (forjando uma palavra feia para uma coisa feia) de tal modo se transformou e se mascarou no que é espiritual, espiritualíssimo, que hoje passo a passo penetra, pode penetrar, nas mais rigorosas e aparentemente mais objetivas ciências; me parece mesmo que já se apossou de toda a fisiologia e teoria da vida, com prejuízo dela, já se entende, ao lhe retirar uma noção fundamental, a de atividade. Sob influência dessa idiossincrasia, colocou-se em primeiro plano a “adaptação”, ou seja, uma atividade de segunda ordem, uma reatividade; chegou-se mesmo a definir a vida como uma adaptação interna, cada vez mais apropriada, a circunstâncias externas (Herbert Spencer). Mas com isto se desconhece a essência da vida, a sua vontade de poder; com isto não se percebe a primazia fundamental das forças espontâneas, agressivas, expansivas, criadoras de novas formas, interpretações e direções, forças cuja ação necessariamente precede a “adaptação”; com isto se nega, no próprio organismo, o papel dominante dos mais altos funcionários, aqueles nos quais a vontade de vida aparece ativa e conformadora. Recorde-se o que Huxley criticou em Spencer – o seu “niilismo administrativo”: mas trata-se de bem mais que de mera “administração”…

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