Ogum e Oxóssi


Pra duas grandes amigas de São Jorge:
OXOSSI APRENDE COM OGUM A ARTE DA CAÇA
Oxossi é irmão de Ogum.
Ogum tem pelo irmão um afeto especial.
Num dia em que voltava da batalha,
Ogum encontrou o irmão temeroso e sem reação,
cercado de inimigos que já tinham destruído quase toda a aldeia
e que estavam prestes a atingir sua família e tomar suas terras.
Ogum vinha cansado de outra guerra, mas ficou irado e sedento de vingança.
Procurou dentro de si mais forças para continuar lutando e partiu na direção dos inimigos.
Com sua espada de ferro pelejou até o amanhecer.
Quando por fim venceu os invasores, sentou-se com o irmão e o tranqüilizou com sua proteção.
Sempre que houvesse necessidade ele iria até seu encontro para auxilia-lo.
Ogum então ensinou Oxossi a caçar, a abrir caminhos pela floresta e matas cerradas.
Oxossi aprendeu com o irmão a nobre arte da caça. Sem a qual a vida é muito mais difícil.
Ogum ensinou Oxossi a defender-se por si próprio e ensinou Oxossi a cuidar da sua gente.
Agora Ogum podia voltar tranqüilo para a guerra.
Ogum fez de Oxossi o provedor.
Oxossi é irmão de Ogum
Ogum é o grande guerreiro.
Oxossi é o Grande Caçador.
Fonte: Prandi, R. Mitologia dos Orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
Belo Belo (Manuel Bandeira)
Belo belo minha bela
Tenho tudo que não quero
Não tenho nada que quero
Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto
Quero quero
Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida
A rosa que floresceu
Sobre a escarpa inacessível
A luz da primeira estrela
Piscando no lusco-fusco
Quero quero
Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela
Quero rever Pernambuco
Quero ver Bagdá e Cusco
Quero quero
Quero o moreno de Estela
Quero a brancura de Elisa
Quero a saliva de Bela
Quero as sardas de Adalgisa
Quero quero tanta coisa
Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.
Masculinismo

3.
Abaixo o guarda-chuva preto. Não somos urubus.
Abaixo as exigências do paletó e da gravata.
Contra o relógio bolachão.
Pelo direito de mijar sentado.
Pelo respeito ao pudor masculino: mictórios privativos.
Pelo amparo aos pais solteiros e abandonados pelas mulheres amadas desalmadas: creches nos bares.
Queremos pensão por viuvez, auxílio alimentação e licença paternidade.
Não amamentamos, mas podemos trocar fraldinha.
Pela liberação da lágrima masculina.
Contra o fechamento do mercado de trabalho aos homens: queremos ser secretários, telefonistas, babás, etc.
Não queremos ser “chefes” de família nem regentes sexuais. Igualdade fora e em cima da cama.
Queremos trepar mais por baixo.
Queremos ser tirados pra dançar.
Queremos ser cantados e comidos.
Pelo nosso direito de dizer não sem grilos nem questionamentos da nossa masculinidade. (…)
Abaixo a máscara da fortaleza masculina. Queremos ter o direito de assumir nossas fragilidades.
[...]
http://www.interfaceg2g.org/node/240
James Brown
Ontem fui no baile da saudade,decidi entrar na internet pra tomar umas aulas.
Radios livres
texto totalmente excelente da Flora, abaixo soh a conclusao:
A principal dificuldade que encontramos neste trabalho são os embaraços apresentados ao colocarmos em foco o porta-voz dos não-humanos, ou melhor, quem fala através dos não humanos, visto que estes não são nem objetos, nem fatos. Se pensarmos apenas, seguindo o exemplo do transmissor e do programador de radio, que os não humanos “aparecem como entidades novas que fazem falar aqueles que se reúnem em torno delas” (Latour 2004:128), a dificuldade ainda parece não cessar. O debate que deve ser colocado diz respeito a como Bruno Latour sugeriu em diversos artigos, a voz dos não humanos – Quem fala por eles? Porem, para esse breve artigo nos contentamos a imergir dentro do universo da Radiola e perceber que, nesse caso, a voz do não humano esta no ato defaze-lo capaz de agir e de agrupar o coletivo.
Também é importante chamar a atenção de que humano não se resumem a sujeitos e não humanos não se resumem a objetos. Conceitos como sujeito e objeto são entendidos neste trabalho como formas representativas de separação, incapazes de se reunirem. segundolatour(2004:142):
“a extensão do coletivo permite uma extensão bem diferente dos humanos e ao humanos exigida pela guerra fria entre os objetos e os sujeitos. Estes faziam um jogo de resultado nulo: tudo o que um perdia o outro ganhava e reciprocamente. Os humanos e os não humanos podem, quanto a eles,agregar-se sem exigir o desaparecimento do seu oposto.”
O estudo da Radiola nos faz enxergar a importância das associações, e mais do que isso, a importância dos humanos e nao-humanos na composição das mídias livres no pais. O estudo das Rádios Livres também aparece como uma forma de circunscrever as relações sociais que se configuram atualmente nas sociedades complexas.
Nelson Gonçalves
Vá embora, pois me resta o consolo e alegria
De saber que depois da boemia
É de mim que você gosta mais.
O inato e o adquirido
O costume é uma segunda natureza que destrói a primeira. Mas que cosa é a natureza, por que não é o costume natural? Tenho muito medo que esta natureza não passe de um primeiro costume, como o costume é uma segunda natureza.
PASCAL citado por Lévi-Strauss em O olhar distanciado

